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Plínio de Arruda Sampaio: o candidato da Frente de Esquerda

Referência de luta pela reforma agrária no Brasil, o militante político, jurista e ex-deputado federal, Plínio de Arruda Sampaio deve ser indicado, em poucas semanas, como candidato à Presidência do Brasil nas eleições de 2010 pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).

Seu nome começou a ganhar força durante o II Congresso do PSOL, em agosto último, quando foi indicato como pré-candidato à Presidência pelo partido. O PSOL quer construir um programa para lutar contra os efeitos da crise econômica sobre os trabalhadores e pela unidade da esquerda socialista brasileira. Para isso, objetiva fazer uma política clara de alianças de classe com o PCB (Partido Comunista Brasileiro) e o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados).

Paralelamente, intelectuais brasileiros de peso assinaram o manifesto "Construir um projeto socialista para o Brasil”, apoiando a candidatura de Plínio Arruda à Presidência da República. Entre os signatários estão o jurista Fábio Konder Comparato, um dos advogados de acusação no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor; o bispo emérito de Goiás e fundador da Comissão Pastoral da Terra, Dom Tomás Balduíno e a professora da Universidade Federal Fluminense e colaboradora da Escola Nacional Florestan Fernandes (do MST), Virgínia Fontes.

Segundo Plínio Arruda, sua candidatura vai surtir mais efeito político do que eleitoral. “Qualquer candidatura do PSOL visa denunciar o que consideramos ser uma farsa: dois candidatos dizendo a mesma coisa. Entre o Serra e a Dilma não há a menor diferença”, declarou.

Nome respeitado da esquerda brasileira e um dos mais árduos defensores da Teologia da Libertação, Plínio Arruda é formado em Direito pela Universidade de São Paulo em 1954, iniciou sua militância política nos anos 50 em grupos da esquerda católica, como Juventude Universitária Católica, Ação Popular e Ação Católica Brasileira.

Em 1962, foi eleito deputado federal pelo Partido Democrata Cristão. Atuou como relator do projeto de reforma agrária do Governo João Goulart. Criou a Comissão Especial de Reforma Agrária e propôs um modelo de reforma no campo que despertou a indignação de grandes latifundiários.
Após o golpe militar de 1964 foi um dos 100 primeiros brasileiros a ter seus direitos políticos cassados por dez anos, pelo Ato Institucional nº 1. Exilado no Chile, foi consultor da FAO -organismo da ONU para agricultura e alimentação. Depois mudou-se para os Estados Unidos, onde fez mestrado em Economia Agrícola, em Cornell. Voltou para o Brasil em 1976, foi professor da Fundação Getúlio Vargas e engajou-se na campanha pela abertura do regime militar e pela anistia dos condenados políticos.
Em 1980, Plínio Arruda foi um dos fundadores do PT e autor do estatuto do partido, além de um dos idealizadores dos seus núcleos de base. Foi eleito deputado federal em 1986 com quase 64 mil votos - na época o segundo mais votado, depois de Lula.
Durante a Assembléia Nacional Constituinte atuou em quatro comissões e fez parte do bloco de articulação da Igreja Católica como membro da Comissão de Acompanhamento da CNBB. Ainda foi vice-líder do PT em 1987 e substituiu Lula na liderança do partido em 1988, exercendo a função até 1990.
Em 2003, coordenou a equipe responsável pelo II Plano Nacional de Reforma Agrária, iniciativa que foi derrubada pelo grupo Democracia Socialista do PT e pela equipe econômica do Governo Lula. Desligou-se do PT em 2005 por discordar da política do partido. No mesmo ano se filiou ao PSOL.
Plínio Arruda foi promotor público e desde 1996 é diretor do Correio da Cidadania, imprensa independente de São Paulo. Também preside atualmente a Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA. Tem 78 anos.