Você está aqui: Página Inicial Temas Política | Economia O papel e responsabilidade das empresas alemãs
Ações do documento

O papel e responsabilidade das empresas alemãs

Nota de repúdio ao silêncio frente ao posicionamento favorável de grande parte dos empresários à um pré-candidato à Presidência do Brasil, que propaga notoriamente posições fascistas.
O papel e responsabilidade das empresas alemãs

[Erklärung auf Deutsch]

Berlim, Freiburg, Colônia, 6 de Julho de 2018

A »Associação de Acionistas Críticos na Alemanha« juntamente com a »Rede Alemã de Grupos de Solidariedade ao Brasil – Cooperação Brasil (KoBra e.V.)« manifestam seu repúdio ao posicionamento unilateral de grande parte dos empresários durante evento promovido na última quarta-feira, 04.07, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O evento tem como ponto de partida, o diálogo com os pré-candidatos. Para isso a entidade elaborou um documento com 43 propostas para os concorrentes, que se submeteram à uma sabatina de uma hora.

Na última quarta-feira, 04.07, o pré-candidato de extrema direita à presidência, o reacionário/fascista capitão da reserva Jair Bolsonaro, foi aplaudido de pé pelos empresários. Jair Bolsonaro (PSL) tenta atualmente se alçar como possibilidade para o mercado. Ao atacar a política de cotas para negros, a legislação ambiental e indigenista, a "ideologia de gênero", o "politicamente correto", o congresso, o governo, o STF, a esquerda e a imprensa, ele arrancou ao menos seis vezes aplausos da maioria dos empresários presentes, mostrando mais uma vez que não pode ser alternativa para os problemas enfrentados pelo Brasil 1. De contraponto ele quase não apresentou propostas detalhadas para o setor industrial/financeiro/econômico, tal como não aprofundou e nem mencionou, qual seria sua reforma da Previdência, que ele diz ser necessária.

Hoje existem cerca de 1.300 empresas alemãs, localizadas principalmente na região metropolitana de São Paulo. Essas são um fator importante na economia brasileira. O Brasil por sua vez, é também o maior parceiro comercial da Alemanha na América Latina. As empresas alemãs têm portanto, um peso enorme nas entidades membros da CNI (especialmente na Firjan e na Fiesp). Tendo em vista os aplausos da elite industrial brasileira para um candidato à presidência, que propaga descaradamente posições fascistas, o até agora contínuo silêncio das empresas alemãs – das quais a grande maioria é membro das diversas entidades constituintes da CNI, gerando entre 10% e 12% do PIB industrial brasileiro2frente ao grave escândalo político gerado pelo apoio expressado à Jair Bolsonaro, é absolutamente inaceitável e contestável.

Diante dos fatos, nós da »Associação de Acionistas Críticos na Alemanha« e da »Cooperação Brasil (KoBra e.V.)«,exigimos que as empresas multinacionais alemãs se posicionem publicamente através dos meios cabíveis, contra a saudação de um fascista explícito, nas entidades das quais são (indiretamente) membros.

Para mais informações:

Christian Russau, membro da diretoria da Associação de Acionistas Críticos na Alemanha (Dachverband Kritische Aktionäre); christian.russau@kritischeaktionaere.de, Cel: 0049 171 2095585

Igor Birindiba Batista, membro da diretoria da Rede Alemã de Grupos de Solidariedade ao Brasil – Cooperação Brasil (KoBra e.V.): info@kooperation-brasilien.org, Tel.: 0049 23435781685

1 Veja a íntegra da sabatina: https://www.youtube.com/watch?v=MDwci80WuDg

registrado em: