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240 | Os Jogos dos de cima

240 | Os Jogos dos de cima

KoBra-Dossier em iz3w Março/Abril 2016

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Artigos em português:

Conteúdo:

p. 02. Editorial

p. 03. O que restou após o apito final: uma análise crítica sobre os jogadores de futebol da Copa do Mundo de 2014, de Thomas Fatheuer e Christian Russau.

p. 06. Uma encenação do clima de festa: uma excurção à cidade olímpica do Rio de Janeiro, de Uta Grunert.

p. 09. Fortaleza perfurada: segurança no Rio antes, durante e depois das Olimpíadas, de Dennis Pauschinger.

p. 12. Faixas preta para a vida: a seleção brasileira de judô preparada não somente para ganhar medalhas, de Nils Brock.

p. 15. Ordem e progesso: notas sobre desporte e ideologia, de Roger Behrens.

p. 18. Quem ganha e quem perde? As sociedades civis no Rio discutem sobre a cidade do amanhã, de Itamar Silva.

p. 19. Baía de Guanabara: algo cheira mal, de Fabian Kern.

p. 20. Estado sem identidade: governos brasileiros geradores de negligências urbanas, de Daniel Santini.

p. 22. Democratização versus Militarização: políticas sexuais no contexto da gentrificação e dos megaeventos, de Jan Hutta.

p. 24. Quem ou o que é a esquerda? A paralisia do progressista e a força do conservador, de Verena Glass.

p. 27. Revistas, Periódicos, Multimídia

Imprensa

Editorial

„Não, obrigado“ foi a forma como os habitantes votaram em Hamburgo e Munique sobre as Olimpíadas. Se lhes tivessem sido questionados, talvez os habitantes do Rio de Janeiro também pudessem rejeitar essa proposta. Os Jogos Olímpicos de 2016 serão realizados no Rio sem uma aprovação geral, tal como na Copa do Mundo de 2014. No Brasil passa-se a ter uma compreensão mais aprofundada dos fatos do que a euforia momentânea pelos aclamados Megaeventos poderia gerar. Muitos efeitos colaterais foram escondidos, tais como despejos, dívidas e desperdício de recursos.

Tomamos os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro como uma oportunidade para continuar nossa necessária cooperação entre iz3w e KoBrA (ver a edição 340). Neste nosso novo e coletivo dossiê, analisaremos a realidade social brasileira para além do glamour olímpico. Nosso foco está na megacidade do Rio de Janeiro e as marcas deixadas pelos megaeventos esportivos. Áreas problemáticas, como segurança pública em favelas, comércio, gentrificação e exclusão dos grupos marginalizados no Rio, e, entre outros, a base do Comitê Olímpico que é observado e criticado por movimentos sociais na cidade.

O ensaio teórico central deste fascículo é ilustrar não somente as olimpíadas enquanto projeto de poder „dos de cima“ mas também enquanto implantação de um projeto grave no Brasil. Os protestos contra a reestruturação das Olimpíadas ocupam um espaço delicado em meio a um momento político difícil e de crise econômica. A política desde a Copa do Mundo é dominada por uma reação conservadora dirigida contra a presidente Dilma Rousseff. A esquerda clássica em torno dos Partidos dos Trabalhadores (PT) está cercada por intrigas políticas que visam preservar o poder, e, sofre com a perda de respostas frente a esta situação. Na vizinha Alemanha se manifesta em toda a América Latina a partir de um posicionamento de direita decidido recentemente nas urnas.

A esquerda barsileira já havia vencido as eleiçoes em outubro de 2014, mas desde então tem lutado para preservar a sua preservação política. Os ainda numerosos protestos nas ruas se apresentam mais criativos e prazerosos do que se acostumava presenciar. Não importa qual o assunto que se está conduzindo nas áreas urbanas e rurais, sempre há uma utopia de uma vida boa para todos, Muitas das imagens contidas neste dossiê referem-se a esta colorida resistência dos movimentos sociais no Brasil.

Algumas das imagens são de autoria de Medienkollektiv Mídia NINJA. Outras imagens são da escola de fotografia Escola de Fotógrafos Populares no Rio de Janeiro e estão presentes na exposição fotográfica “Copa para Quem?” exibida em 2014 pelo grupo OXIS em Bonn.

Ninguém tem soluçoes rápidas para a profunda crise no Brasil, e a estratégia do ópio para o povo já não tem mais funcionado na Copa do Mundo. É bem possível que a tocha olímpica desencadeie uma conflagração política.